Estou respirando.Para cima e para baixo.Pra cima e para baixo.Como é que a ostra nua respira? Se respira não vejo.O que não vejo existe?O que mais me emociona é que o que não vejo contudo existe.Porque então tenho aos pés todo mundo desconhecido que existe pleno e cheio de rica saliva. A verdade está em alguma parte : mas inútil pensar.Não a descobrirei e no entanto vivo dela.
O que te escrevo não vem de manso ,subindo aos poucos até um auge para depois ir morrendo de manso.Não: o que te escrevo é de fogo como olhos em brasa.
Hoje é noite de lua cheia.Pela janela a lua cobre a minha cama e deixa tudo de branco leitoso azulado.O luar é canhestro.Fica do lado esquerdo de quem entra. Então fujo fechando os olhos.Porque a lua cheia é uma insônia leve :entorpecida e dormente como depois do amor. E eu tinha resolvido que ia dormir para poder sonhar,estava com saudades das novidades do sonho. (Clarice Lispector)
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